#Produtividade

Futuro do CIO: Você prefere o "I" de irrevelante ou "I" de indispensável?

27/abr/2017 16:16:47 por Guest Post | Cezar Taurion

shutterstock_183053891.jpgEm constantes reuniões de trabalho e conversas em eventos com CIOs (Chief information officer), é possível observar que, para muitos, uma das suas principais preocupações, é que o “I” em “CIO” (information), muitas vezes, lhes parece ser “insignificante”, “irrelevante” e até mesmo “invisível” para a organização e o CEO (chief executive officer).


 

Os CEOs querem que o “I” de information signifique uma função indispensável, que seja visto como “inspiração” e “inovação”. O desafio, segundo eles, é que em muitas empresas o setor de TI é visto como operacional e o CIO é na prática, um cargo honorífico, não fazendo parte do C-level da corporação.



Você pode se perguntar, o que fazer?

Bem, não existe essa resposta de um milhão de dólares, mas em algumas percepções, existem diferenças nítidas entre os CIOs operacionais e os estratégicos, tanto na postura como no papel que exercem.

  • CIOs operacional ou transformacional: olham para a empresa de dentro para fora, começando pelo modo como operam e depois mirando os clientes (para eles os demais setores da empresa são os seus clientes!), enquanto os;
  • CIOs estratégicos: olham a empresa de fora para dentro e constantemente se perguntam: em que tipo de negócio estamos? Este negócio vai continuar?

Para estes CIOs os seus clientes são aqueles lá fora, que compram os produtos e serviços da empresa. O CIO estratégico é um líder de negócio (repetindo, líder de negócio!) que usa a tecnologia como principal ferramenta para gerar vantagem competitiva.

Então para tentar chegar a uma resposta, propomos que os CIOs que queiram deixar de serem operacionais e serem vistos como estratégicos, busquem explorar as oportunidades que o novo cenário de negócios está proporcionando.  


Que tipo de negócio é a sua TI hoje em dia?

Como está a TI na sua empresa? Onde ele está gastando seu budget e que tecnologias está adotando?

Sendo bem pragmático, observe na prática, a TI está em todos os negócios, pois cada vez mais as coisas estão sendo digitalizadas. As mudanças ocorrem de forma acelerada e exponencial, e o cenário de negócios que sustentou o crescimento da empresa e mesmo de todo setor pode deixar de existir em poucos anos. Portanto, a pergunta que você deve se fazer é: que tipo de negócio a TI deve ser amanhã?

Para ser reconhecido como líder estratégico você precisará se posicionar no negócio em “criar e evitar uma surpresa estratégica”.

Não é apenas melhorar incrementalmente o dia a dia da empresa colocando um app aqui e outro ali, mas fazendo coisas que antes se pensava impossível. Como?


  • # 1 passo é olhar para frente e ajudar a empresa a mapear os riscos estratégicos. Aqueles riscos tecnológicos que podem afetar a empresa no futuro, inclusive destruindo seu modelo de negócios atual. A velocidade com que as mudanças estão ocorrendo implica que muitos dos riscos vistos como ameaças a longo prazo podem se tornar um pesadelo em muito pouco tempo. Por exemplo: fiar-se na proteção regulatória como impeditivo de inovações de ruptura. Não é garantia. Na prática usar uma proteção regulatória é apenas focar na proteção da geração de valor atual, mas não na possibilidade criar nova forma de valor. Que alguém, de fora, inovador, poderá fazer.

  • #2 passo é não ignorar o fato de  que vivemos em um mundo hiperconectado e as consequências transformacionais disso. Tom Friedman, que escreveu o livro “Mundo é Plano”, e nele chama atenção para o que ele denominou “Great Inflection”, no qual é possível destacar uma observação de extrema importância: “When the world gets this hyperconnected, the speed with which every job and industry changes also goes into hypermode”. Neste cenário, novas tecnologias criam novos modelos de negócio e direcionam as estratégias de negócio.

  • #3 passo é lembrar-se que o papel do CIO estratégico é alertar a organização que riscos estão sendo mapeados e quais os efeitos deles para a sobrevivência do próprio negócio. Criar um processo de inovação sistemático deixa de ser uma opção, mas condição básica para se manter no negócio. Inovação e estar um passo à frente, é um aspecto estratégico de suma importância. Não fazer isso é ignorar um risco estratégico potencial de disruptores destruírem seu negócio e até mesmo levar para o buraco todo um setor de negócios no qual sua empresa faz parte.

 

Ler Agora

 

Vamos tangibilizar esses passos e pegar um exemplo de tecnologia que ainda está passando despercebida e que pode colocar em risco seu negócio em menos de uma década. A Blockchain.

Blockchain geralmente é associado a Bitcoin, mas tem potencial de criar ruptura em todos os negócios. Em diversas fontes de informações, artigos apontam que Bitcoin não tem futuro ou estará morto em pouco tempo. Mas blockchain não depende do Bitcoin! Tem vida própria e uma solução tecnológica baseada em criptografia, descentralizada, tem o potencial de redefinir transações e o back-office de várias indústrias. De bancos a sistemas de pagamento, de tabeliões a sistemas eleitorais, de registro de veículos a rastreamento perpétuo da vida acadêmica, criminal e médica...simplesmente removendo intermediários que vivem hoje do valor do seu papel certificador.

shutterstock_396578755 (1).jpg

Muitas indústrias revirarão de ponta cabeça, podendo se tornar irrelevantes. Não é à toa que iniciativas como Hyperledger, consórcios como R3CEV, ações como  ADEPT, que se propõe a juntar IoT com blockchain e que pode redefinir o cenário da Internet das Coisas não podem ser menosprezados. Analisar riscos estratégicos provocados pela tecnologia é inserir a estratégia no papel do CIO.  

Outra tecnologia é a IA (inteligência Artificial). Pesquisadores já apontam que uma máquina HLMI (Human-level machine intelligence), que pode ser definida como um computador que poderá efetuar a maioria das profissões humanas ao menos tão bem quanto um ser humano, tem 50% de chance de ser alcançada em torno de 2050. E que de lá para uma máquina superinteligente o passo seria de poucas décadas.

A definição desta máquina superinteligente seria algo como: “um intelecto que excederá largamente o desempenho cognitivo de humanos em virtualmente todos domínios de conhecimento”.  Sem dúvida que temos um imenso desafio pela frente, isso nos leva aos seguintes questionamentos:

  • Que impactos esses sistemas superinteligentes terão na nossa sociedade?
  • Que impactos esses sistemas inteligentes irão gerar em nossas empresas?
  • Quais impactos serão gerados em nossos empregos?

Para um estudo mais aprofundado desses impactos, é recomendada a leitura do livro “Superintelligence: Paths, Dangers, Strategies”, de Nick Bostrom.

 

Mudança Geracional

Se você está pensando em estratégia, esqueça os millennials, e preste atenção a geração Z ou Gen-Z, aquela que nasceu após 1998. É a primeira geração nativa no mundo digital. Os milênios nasceram em 1985, conviveram com desktops não conectados. Basta comparar os nascidos neste ano com os que nasceram em 2005, uma simples diferença de 20 anos, que veremos mudanças significativas em seu comportamento. Mudanças que influenciaram e muito o futuro das empresas, pois a Gen-Z serão seus clientes e colaboradores.

O CIO que pretende se tornar um líder de negócios:

  • tem que pensar de forma estratégica;
  • olhar a frente das transformações atuais;
  • Influenciar seus pares e
  • mostrar que as mudanças estão chegando.

O CIO pode contribuir muito para liderar a Transformação Digital da empresa. Aí, sim, será um CIO com o “I” de inovação e de indispensável.

E para você, quais os principais desafios ou dicas para ser indispensável?

 cios discutem transformacao digital

 

Guest Post | Cezar Taurion

Guest Post | Cezar Taurion

Sócio fundador e CEO da Litteris Consulting. Anteriormente foi por 12 anos Diretor de Novas Tecnologias Aplicadas e Chief Evangelist da IBM Brasil. Consultor com experiência profissional tendo sido líder da prática de IT Strategy da PwC.